Carimbo de tempo blockchain: prova da data de um documento no Brasil
A MP 2.200-2/2001 e a Lei 14.063/2020 reconhecem o carimbo de tempo eletrônico como prova da existência de um documento em uma data específica. Bastamp ancora o hash SHA-256 no Polygon e Bitcoin.
O que significa "data certa" no direito brasileiro
Dar data certa a um documento significa torná-lo oponível a terceiros quanto à data de sua existência, sem que ninguém possa contestar sua cronologia. É um instituto central para contratos, escrituras particulares, obras intelectuais, denúncias internas e evidências pré-contratuais.
O Art. 219 do Código Civil enumera os casos clássicos em que um documento particular adquire data certa em relação a terceiros: registro em ofício público, falecimento de um dos signatários, e qualquer outro fato que estabeleça com igual certeza a anterioridade da formação. A MP 2.200-2/2001 e a Lei 14.063/2020 estenderam explicitamente o conceito ao âmbito digital, reconhecendo o valor probatório dos carimbos de tempo eletrônicos.
Os três métodos clássicos para dar data certa e seus limites
- Cartório de notas (registro de documento ou ata notarial): garantia máxima, fé pública, mas custos de R$50 a R$500 por documento dependendo do estado e complexidade. Requer comparecimento ou uso da plataforma e-Notariado.
- Carta com aviso de recebimento ou e-mail registrado: R$10-30 por envio, com data certa vinculada à infraestrutura postal.
- Carimbo de tempo qualificado de uma Autoridade de Carimbo de Tempo (ACT) credenciada na ICP-Brasil: R$1-3 por carimbo, mas requer certificado digital ICP-Brasil ativo e contrato com a ACT.
Os três métodos exigem infraestrutura prévia: comparecimento ao cartório (ou cadastro no e-Notariado), uma carta enviada pelos Correios, ou um certificado digital ativo na ICP-Brasil. O Bastamp é uma página web: você arrasta o arquivo no navegador, faz login com e-mail, baixa o certificado. Trinta segundos, de qualquer dispositivo com conexão à internet.
Como funciona o carimbo de tempo blockchain
Um carimbo de tempo blockchain insere o hash SHA-256 do documento dentro de uma transação registrada em uma blockchain pública. Os blocos estão temporalmente encadeados por meio de provas criptográficas e do consenso distribuído de milhares de nós independentes. Nenhuma entidade central pode alterar retroativamente a data registrada.
A diferença prática em relação ao carimbo de tempo qualificado da ICP-Brasil: a datação não depende da boa-fé de uma única ACT credenciada. Depende do fato de que milhares de operadores independentes, em todo o mundo, concordaram com a ordem dos blocos. Para mover a data de um documento já carimbado seria necessário reescrever a história do Bitcoin ou do Polygon — operação tecnicamente quase impossível e, em qualquer caso, imediatamente detectável.
Valor probatório no processo brasileiro
Do ponto de vista formal, o carimbo blockchain é um carimbo de tempo eletrônico não qualificado, fora do âmbito da ICP-Brasil. A Lei 14.063/2020 estabelece, contudo, que a assinatura e o carimbo de tempo eletrônicos não qualificados não podem ter sua validade jurídica negada pelo simples fato de não estarem na forma qualificada — princípio análogo ao do eIDAS 2.0 Art. 41.
Concretamente: em juízo, o magistrado avalia o carimbo blockchain juntamente com outros elementos (autenticidade do arquivo, integridade da cadeia de hash, verificações técnicas sobre o ancoramento). O Art. 411 do CPC sobre prova documental e o Art. 422 sobre documentos digitais completam o arcabouço.
Quando faz sentido usar um carimbo blockchain
- Proteção da propriedade intelectual: provar a autoria de uma obra (logotipo, código-fonte, design, manuscrito, protótipo de patente) antes da publicação ou registro no INPI.
- Negociações pré-contratuais: carimbar minutas, term sheets, troca de e-mails relevantes para provar sua existência em caso de disputa posterior.
- Denúncias internas / canal de denúncias: após a Lei 14.457/2022 (Programa Emprega + Mulher) e a regulamentação CVM 80/2022 sobre canal de denúncias, a prova da data exata de uma denúncia é decisiva em ações trabalhistas e disputas societárias.
- Backup de documentos internos: contratos, atas, manuais, políticas — data certa para opô-los a terceiros em disputas (especialmente em recuperação judicial e falência).
- Publicações online: posts, artigos, conteúdo em redes sociais — relevante em ações de plágio, difamação ou alteração retroativa.
Como funciona o Bastamp na prática
O cálculo do SHA-256 é realizado diretamente no navegador: o arquivo nunca é enviado aos servidores do Bastamp (privacy by design). O hash é agregado em uma árvore de Merkle com outros hashes da mesma janela temporal, e a raiz da árvore é ancorada no Polygon (ancoragem primária por baixo custo) e no Bitcoin via OpenTimestamps (ancoragem secundária para integridade de longo prazo).
O resultado é um certificado PDF contendo o hash do documento, a prova de Merkle, o hash da transação no Polygon, o cabeçalho do bloco Bitcoin de referência, e o arcabouço legal brasileiro (MP 2.200-2/2001, Lei 14.063/2020). O certificado é verificável contra a blockchain a qualquer momento — mesmo que o Bastamp deixe de existir.
Custo: a partir de R$14,90 por carimbo, até R$4,40 por carimbo no pack de 500. Sem mensalidade, sem certificado digital, sem comparecimento ao cartório. O primeiro carimbo é gratuito.
Legal framework — Brazil
In compliance with Lei 14.063/2020, Medida Provisória 2.200-2/2001 (ICP-Brasil), and Art. 411 of the Código de Processo Civil.
FAQ
O carimbo blockchain tem o mesmo valor do carimbo qualificado da ICP-Brasil?
Formalmente não: o qualificado da ICP-Brasil goza de presunção legal plena, o blockchain é não qualificado. Na prática, para a maioria dos usos — data certa contratual, propriedade intelectual, evidências internas — o blockchain é suficiente, pois o juiz é obrigado a avaliá-lo no mérito e, conforme a Lei 14.063/2020, não pode rejeitá-lo apenas pelo fato de ser não qualificado.
Posso dar data certa a um documento criado há dois anos?
Não. A data certa apenas atesta que o documento existia na data do carimbo. Não é possível movê-la para trás. É um limite intrínseco de qualquer método, incluindo cartório, ICP-Brasil e blockchain.
O que acontece se o Polygon ou o Bitcoin deixarem de existir?
O Bastamp ancora em ambas as blockchains precisamente por essa razão. O Bitcoin tem 16 anos de história ininterrupta e capitalização superior a US$1 trilhão: a probabilidade de cessar de existir em horizontes legalmente relevantes é desprezível. O Polygon é a âncora primária pelo baixo custo, o Bitcoin a cobertura de longo prazo.
Vale só no Brasil?
Não. O certificado do Bastamp cita as normas brasileiras (MP 2.200-2/2001, Lei 14.063/2020) e também eIDAS 2.0 Art. 41 para uso em disputas com partes europeias. Para outras jurisdições o Bastamp emite o certificado com o arcabouço legal local correspondente.
Quanto tempo demora para ancorar um documento?
O carimbo é instantâneo no seu lado (cálculo SHA-256 no navegador). A ancoragem no Polygon ocorre em 10-15 minutos (lote a cada quinze minutos). A ancoragem no Bitcoin via OpenTimestamps requer 1-6 horas para inclusão em um bloco. O certificado final fica disponível após as duas ancoragens.
Tenho que ser eu a depositar o arquivo no Bastamp?
Não. Você pode delegar a um terceiro (por exemplo, ao seu escritório de advocacia) que carimbe em seu nome. O Bastamp prova apenas que o arquivo existia naquela data — a autoria do documento se demonstra separadamente (assinatura digital, metadados, contexto do arquivo).
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